Dossiê Ultraformer: por que o calor profundo é o novo padrão ouro?

Drummond Dermato Dermatologista RJ

A flacidez tissular é um desafio silencioso que, muitas vezes, não é resolvido apenas com cremes ou hidratação superficial. Quando notamos que o contorno do rosto começa a perder definição ou que a pele do pescoço já não apresenta a mesma firmeza, o problema está na estrutura profunda, logo acima da camada muscular. É exatamente aqui que o ultrassom micro e macrofocado se diferencia de outros procedimentos menos invasivos.

O mecanismo central dessa tecnologia é o disparo de energia térmica em pontos focais específicos. Ao atingir a camada SMAS — o mesmo sistema de sustentação que os cirurgiões plásticos manipulam em um lifting tradicional —, o aparelho provoca uma retração imediata das fibras de colágeno existentes. O calor gerado não é um trauma desorganizado; é uma energia controlada que sinaliza ao corpo a necessidade de produzir novas proteínas estruturais naquela região exata, promovendo um efeito "lifting" que evolui conforme o organismo cicatriza o processo.

O rosto é o principal foco, mas a versatilidade do equipamento permite mapear diferentes profundidades. Nas bochechas, o objetivo é o efeito lifting e o refinamento do contorno mandibular. Na região dos olhos, ponteiras específicas trabalham a pele fina da pálpebra, reduzindo o aspecto cansado sem cortes. Já no corpo, o foco muda para a redução de medidas e a melhora da textura em áreas como braços, interno de coxas e abdômen, onde o calor profundo ajuda a compactar o tecido gorduroso e tensionar a pele adjacente.

É comum que pacientes relatem uma sensação de "picadas" ou aquecimento intenso durante a sessão. Esse desconforto, embora tolerável, é o reflexo direto da coagulação térmica acontecendo onde ela realmente importa. Se não houvesse essa percepção de calor, a energia possivelmente estaria dispersa na superfície, sem atingir a profundidade necessária para estimular o colágeno tipo I e III, responsáveis pela firmeza a longo prazo.

O processo de neocolagênese não acontece da noite para o dia. O pico da produção de novas fibras ocorre entre o terceiro e o sexto mês após a sessão. Por ser um estímulo biológico do próprio organismo, o resultado não é estático. A manutenção anual costuma ser suficiente para quem deseja frear o relógio biológico, garantindo que a pele não perca a sustentação conquistada com o tratamento inicial.

A versatilidade é um dos pontos fortes, pois o ultrassom raramente compete com outras tecnologias. Pelo contrário, ele prepara o terreno. Ao criar uma estrutura mais firme e "suspensa" com o calor profundo, o preenchimento com ácido hialurônico ganha um suporte melhor para atuar, exigindo menos volume para alcançar um resultado harmonioso. O rejuvenescimento integrado foca na qualidade da pele, e não apenas no preenchimento de espaços vazios.

A principal barreira não é a idade, mas a condição do tecido. Peles extremamente flácidas, com excesso de pele que demandaria remoção cirúrgica, tendem a responder de forma tímida. O ideal é entender o procedimento como um aliado da longevidade. Tratar a flacidez enquanto ela ainda é leve ou moderada evita que o paciente precise recorrer a métodos invasivos no futuro, mantendo a naturalidade das expressões.